quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ninguém

Ninguém ontem veio até mim
E tão só quanto eu
Sentou-se ao meu lado para conversar.

Porém ninguém ontem nada podia dizer.
Talvez, como eu, estava tão refocilado na lama,
Que sua voz sumira devido à tristeza tão lúbrica.

Ninguém se faz meu sósia.
Ambigüidade desesperada de olhos diáfanos e solitários,
Permanência tipicamente nua,
Porém vestida de verdades compridas

Ninguém se finge de morto
Sua voz transparente,
Em mim só vem a acrescentar
Uma nova versão líquida

Ninguém me consola
Por isso a amizade escancarada na testa
Eu não consolo ninguém
Por isso somos unha e carne

3 comentários:

  1. Enquanto ninguém me ouvir
    Serei único
    No entanto sempre ninguém
    Ninguém me ouve
    E esse me olha do espelho
    Sujo, ninguém me vê
    Mal falado, ninguém me olha
    Mas ouço o reflexo
    Ninguém me quer
    E sou sempre desejado
    Sinto que ninguém me escolhe
    Sou todo pior
    Ninguém como eu
    Em mim mesmo só
    Ninguém tem dó.

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  2. Olá, gostei aqui do teu espaço. Belo poema, escreves bem.
    abraço

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