domingo, 27 de junho de 2010

Gosto de Guarda-chuva

As paredes vão diminuindo enquanto o lodo parece ser a única coisa preocupada comigo. Reconfortante é se esmagar pelas estradas móveis da sua própria percepção de desespero, e se escorar nelas, e ralar sua pele devido à confusão, à agitação, ao pensamento de incapacidade remota. Seria eu mais um inconstante? Acho que a mente me condena, extrai de mim minhas capacidades produtoras, meu alterego de nada, de uma vazia superioridade. Nada passa absolutamente, algo sempre fermenta, se diz alcoólico, denomina-se expansivo e na verdade retrai-se nas horas de desespero, tem medo daquilo que congestiona artérias, que povoa com algodão as partes que estão faltando. Enquanto isso, acende-se cigarros um após outro esperando não ser visto, não ser flagrado, pois se for encontrado será criticado pela inércia, pela má vontade ou simplesmente por ser assim mesmo: "Relaxado". O vento toca meu rosto e assim sinto a sensação da liberdade, meus pêlos tornam-se quimeras e a cada mistério descubro outras coisas para desvendar, e eu sempre tive o sonho de desvendar o horizonte, porém ele é tão distante, tão corrompido de falsas possibilidades que o chão parece-me mais seguro para se machucar. Queria apenas sentir saudades, porém sempre quero algo mais e mais. Acaba que nada disso posso ter, pois a saudade me condenou em outras estações e sobre o "algo a mais" nunca soube qual era seu verdadeiro significado, talvez não devesse me preocupar com suas soletrações, devesse escreve-lo de trás pra frente, escreve-lo errado, pois assim que me sinto na maioria das vezes.

8 comentários:

  1. olá jovem!
    retribuindo a visita e passando de hj em diante a ser sua seguidora, volte quando quiser e vá também no meu outro blog "uma bela rosa negra" http://camillapreta.blogspot.com/ nesse sou eu mesmo que escrevo com minhas próprias palavras... rsrsrs... pode ser que venha a gostar dos meus singelos escritos... beijos no coração, axé.

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  2. ah! gostei do que li aqui, escreves bem...

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  3. Já que sempre há "tombos", por que manter-se no chão?!...

    Gui! Passei uns dias sem vir aqui, estava com saudades da sua sutileza, da sua "lucidez maluca", da sua, "inconstância"!? rs

    Beijo, poeta!

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  4. "Reconfortante é se esmagar pelas estradas móveis da sua própria percepção de desespero"

    Cara!

    Seus versos disfarçados em prosa, dispensam qualquer comentário. Mas alguns me batem com tanta força que eu sinto vontade de revidar a marca que me deixam.

    Abraços

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  5. Eita escritor!
    Tuas palavras parecem extraídas de mim...
    e encontrá-las tão bem alinhadas, tão bem resolvidas, na confusão certeira, na indagação precisa ... é bem gostoso!

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  6. "Queria apenas sentir saudades, porém sempre quero algo mais e mais."

    Só saudade não basta; saudade passa, mas a vontade de ter que determina a vontade de soletrar e errar. Sempre.

    Adorei o seu blog.
    Obrigada por visitar o meu.
    Com carinho,
    Pam.

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  7. Que belo esse lugar! E esse texto!

    Continue a querer algo a mais, moço. É assim que a vida segue...

    Abçs,

    Isa.

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  8. Mas não tenha medo de sair do chão não, vale a pena, apesar de todos os pesares.

    Beijo

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